Baba constante, mordidas em tudo que passa perto da boca, uma irritação visível nas gengivas — e, em algum momento, alguém vai dizer que é "só dente". A dentição é, de fato, um dos marcos mais comentados (e mais cercados de mito) da primeira infância.
Os sinais reais da dentição
Os primeiros dentes costumam começar a nascer entre os 4 e os 7 meses, embora o intervalo normal seja bem mais largo — alguns bebês nascem com um dente, outros só começam perto do primeiro aniversário. Os sinais mais consistentes, segundo pediatras, incluem salivação aumentada, vontade de morder objetos, gengiva levemente inchada e irritabilidade pontual.
O importante é saber reconhecer isso sem transformar cada desconforto do bebê em "deve ser dente".
O que não é sinal confiável de dentição
Aqui mora o mito mais comum: febre alta, diarreia ou vômito não são, segundo a literatura pediátrica atual, sintomas diretamente causados pela dentição. Pode haver uma leve elevação de temperatura, mas febre alta de verdade (acima de 38°C) costuma indicar outra causa, como uma infecção, que merece avaliação médica — não deve ser atribuída automaticamente aos dentes nascendo.
Esse mito é antigo e ainda muito repetido, inclusive por gerações anteriores com boa intenção, mas vale conversar com o pediatra sempre que o quadro parecer mais intenso do que um simples desconforto.
Formas simples de acolher o desconforto
Mordedores gelados (não congelados), massagem leve na gengiva com o dedo limpo, e bastante colo nos momentos de irritabilidade costumam ajudar. Não é preciso recorrer a géis ou produtos com anestésico sem orientação profissional — o desconforto da dentição, na maioria dos casos, é passageiro e pode ser acompanhado com paciência e presença, sem pressa pra que passe mais rápido do que o tempo do próprio bebê.
